Pular para o conteúdo
Brasil

Universidade federal e ONG monitorou igrejas brasileiras antes do 1º turno das Eleições de 2026

Foto de Folha de Marizópolis
Equipe de redação
Publicado: 14 de out. de 2026 23:22
Interior de igreja com bancos de madeira e vitrais coloridos nas janelas.
Interior de uma igreja. Foto: Berna/Pexels.Crédito: Foto: Berna/Pexels

As igrejas brasileiras foram alvos de monitoramento antes do 1º turno das Eleições de 2026: a Organização Não Governamental (ONG) More In Common e a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) realizaram um estudo para procurar "crimes eleitorais" dentro das igrejas às vésperas da eleição.


O estudo foi nomeado de "Fé e voto: um retrato do discurso eleitoral nas igrejas brasileiras", infiltrando seus voluntários e pesquisadores em mais de 7 mil cultos e missas em igrejas pelo Brasil.


O levantamento foi publicado por Rodrigo Toniol, colunista no jornal Folha de São Paulo e professor de Antropologia na UFRJ. No estudo, o objetivo era buscar possíveis "propagandas eleitorais" a partir dos púlpitos das igrejas. Cultos e missas transmitidas no Youtube foram transcritos para análises posteriores.


Igrejas católicas e evangélicas na mira


Segundo o próprio estudo, 10% de Igrejas Católicas e Igrejas Batistas pelo país foram estudadas. Já as igrejas da denominação Assembleia de Deus tiveram por volta de 2 mil cultos analisados.


Conforme os pesquisadores, em 0,7% das missas havia presença de discursos eleitorais, 1,4% em cultos batistas e 8,3% em cerimônias religiosas das Assembleia de Deus.


A maioria do conteúdo analisado era sobre a conscientização sobre o voto e orientação sobre a renovação do Congresso Nacional e exortação a deixar a polarização de lado.


Instituto Brasileiro de Direito Religioso manifesta preocupação


O monitoramento de cultos religiosos e igrejas levantou um alerta no Instituto Brasileiro de Direito Religioso (IBDR), que lançou uma nota de repúdio pelo estudo feito.


O IBDR manifesta preocupação com iniciativas de monitoramento de cultos e celebrações religiosas durante o período eleitoral, reafirmando a importância da liberdade religiosa, da autonomia das organizações religiosas e da proteção constitucional ao livre exercício da fé.


O instituto diz respeitar a liberdade das pesquisas acadêmicas, mas lembra que "o acompanhamento de atividades religiosas, especialmente atos de culto, com a finalidade de identificar possíveis infrações eleitorais, trata-se de fiscalização e constrangimento ilegal ao exercício do culto."


O IBDR também cita preocupação com a subjetividade de de análises de cultos religiosos em busca de "crimes eleitorais", lembrando que o simples ato de fazer citação a determinado candidato não configura crime de abuso de autoridade em uma igreja, por exemplo.


Universidades, institutos federais e escolas fazem atos políticos


Ao passo que há uma preocupação com possíveis crimes eleitorais dentro das igrejas, as instituições de ensino brasileiras têm realizado atos políticos pró reeleição do atual presidente, Lula, do Partido dos Trabalhos (PT, de esquerda).


Movimentos estudantis têm utilizado espaços acadêmicos pelo Brasil para organizar manifestações e colar cartazes com dizeres contrários ao candidato à presidência e senador Flávio Bolsonaro, do Partido Liberal (PL, de direita), muitas das vezes, com notícias falsas (fake news) como "se Flávio ganhar, o Bolsa Família corta, o pé-de-meia será tirado e a educação pública vai acabar".


O principal mote desses movimentos é “Trabalhador, olha pra cá, eu tô na rua pro seu filho estudar!”, em referência a supostos cortes orçamentários em uma eventual gestão de Flávio Bolsonaro, mesmo após Lula ter cortado R$16,6 bilhões de reais da educação em 2027 ao ter sancionado, em 27 de agosto deste ano, a Lei Complementar de Nº 235.

Compartilhar matéria